Início do Triodion e Festa da Apresentação do Senhor

Início do Triodion

O primeiro Domingo de Fevereiro de 2026, marca o início do Triodion. Nas palavras do Patriarca Ecumênico, “Hoje se inicia a etapa  que nos convida ao arrependimento, à humildade e ao despertar espiritual. E dois homens aparecem diante de nós, o publicano e o fariseu, que entram no Templo e oram (Lc 18,10-14). Um é justificado, o outro é condenado. O fariseu tinha obras, jejum e virtudes exteriores. Estava em decadência, humilhado. Ele orava, diz o Evangelho, mas “para si mesmo”. Não falava com Deus, mas com o seu egoísmo. O publicano, por outro lado, nada tinha a dizer. Simplesmente permaneceu em silêncio, quebrantado de coração. Nem sequer ousou erguer os olhos para o céu. Falou apenas em monólogo: “Deus, tem misericórdia de mim, pecador”. A humildade lhe abriu o céu. O orgulho condenou o fariseu. Eis a primeira lição do Santo Triódion: não apenas o jejum, não apenas as conquistas, mas também a humildade. O jejum sem arrependimento torna-se farisaísmo. O ascetismo sem sacrifício torna-se orgulho. A humildade é graça, é sabedoria, é força, é paz. O Triódion não é um tempo de tristeza, mas de retorno. Ele nos convida a mergulhar nas profundezas de nossos corações, a nos vermos “face a face”. Não ao desespero, mas à cura, pela misericórdia do Deus todo-poderoso e amoroso. Cristo nos chama a ser “a luz do mundo” e “o sal da terra”. Transformemos nossa fé em um testemunho vivo. As grandes figuras da Igreja não estão ocultas no silêncio da história, mas brilham através dos séculos como lâmpadas em um candelabro.” 

Festa da Apresentação do Senhor

O primeiro Domingo de fevereiro de 2026, coincidiu também com a Festa da Apresentação do Senhor que foi celebrada na Igreja Ortodoxa Grega São Savas. A celebração foi presidida por Dom Irineo de Tropaion e assistida pelo Diác. Arsênio Ferreira da Costa, grupo de cantores e acólitos. A Divina Liturgia foi precedida pelo Ofício de Matinas, às 10h. Quarenta dias após a Natividade, a Igreja Ortodoxa celebra a Festa da Apresentação do Senhor ou a Festa do Hypapántê — palavra grega que significa “o Encontro”.  O encontro de Deus -que Se fez homem- com o seu povo,  no Templo. Segundo a Lei, o primogênito devia ser apresentado e consagrado ao Senhor (cf. Ex 13,1–2.12; Nm 18,15–16), e a mãe, ao término dos dias prescritos, vinha ao Templo para o rito ligado à purificação (cf. Lv 12). Assim, José e a Theotokos trouxeram o Menino a Jerusalém e oferecem “um par de rolas ou dois pombinhos” (Lc 2,24; cf. Lv 12,8), sinal discreto de pobreza e, ao mesmo tempo, testemunho de obediência. A humildade com que entram na Casa de Deus já anuncia o modo pelo qual o Cristo realizará toda a economia da salvação: sem ostentação, mas com plena fidelidade. A Festa da Apresentação é também chamada, em muitas tradições, de “Candelária”: a luz de Cristo, confessada por Simeão, torna-se gesto e sinal. Não se trata de um adorno, mas de um símbolo profundamente evangélico: as lâmpadas acesas recordam que “a verdadeira Luz” entrou no Templo e veio ao encontro dos que “estavam nas trevas” (cf. Jo 1,9; Mt 4,16). São Cirilo de Alexandria exorta a celebrar este mistério como filhos da luz: não apenas com velas nas mãos, mas com a alma iluminada pela fé e pela vida segundo o Evangelho. E São Sofrônio de Jerusalém, ao convocar o povo para a festa, insiste no sentido interior do rito: avançar para Cristo com “corações iluminados”, para que ninguém permaneça na escuridão — isto é, sem arrependimento, sem reconciliação, sem caridade concreta. O ícone da festa traduz, em cores e silêncio, esta teologia. O Menino aparece como centro: apresentado e, ao mesmo tempo, Senhor. Simeão O recebe com mãos veladas, sinal de veneração; a Theotokos O oferece, não como quem perde, mas como quem entrega, em liberdade e obediência, o Dom recebido. Ao fundo, o Templo não é mera arquitetura: é o sinal de uma expectativa que se cumpre. E esse cumprimento não é o triunfo de um grupo sobre outro, mas a visita misericordiosa de Deus à humanidade inteira.

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